“Frequentar” o Facebook se tornou uma tarefa difícil e até enfadonha (porque só se falava disso!!!), desde que o estacionamento do prédio de História foi palco de manifestações dos estudantes contra a presença da PM (acho que foi em uma quinta-feira). Passei por lá; naquele dia cheguei por volta das 18h30 na faculdade. O que vi? Dois policiais militares, uma viatura pequena e mais ou menos uns 30 alunos, que, em ordem unida (rs, não resisti) gritavam: “Fora, PM!!!”.
Alguns poucos minutos depois, chegaram váááárias viaturas, váááários policiais e váááários alunos. Dentre estes, acredito que poucos DE FATO estavam manifestando com ideias e pensamentos minimamente aceitáveis; muitos foram para só pra bagunçar, outros simplesmente pra saber o que estava acontecendo (meu caso), e tinha também uma meia dúzia de lunáticos que se fazia presente apenas para repetir freneticamente coisas do tipo: “A tortura voltou!!! Pessoal, é a ditadura militar de 64!!! Bando de coxinhas!!! A PM é o braço capitalista do estado!!!”
Pois bem. Naquele dia eu tinha aulas importantes, nas quais não consegui me concentrar. Assisti só uma parte da aula de Literatura Brasileira IV (sorry, Massi!) e voltei pra História, na companhia de um amigo, por volta das 20h20. Muito mais gente, com e sem farda. Fiquei um pouco; percebi que as manifestações foram minguando. As viaturas, uma a uma, saiam do estacionamento. Parecia que tudo ia ficar calmo de novo.
Então, não sei de onde, apareceram mais estudantes gritando palavras de ordem. As viaturas voltaram.
21h15: precisei correr pra aula indispensável de Alemão.
+/- 22h00: ouvimos, do corredor da sala 160, uma espécie de explosão.
Um pouco depois disso, voltei à História e… NADA. Não tinha mais ninguém no estacionamento. Acontecia uma reunião no espaço dos estudantes, no interior do prédio. Tudo parecia calmo, até demais.
Vale ressaltar que, durante o tempo em que fiquei por lá, não vi nenhuma espécie de abuso por parte dos policiais. É também de bom tom dizer que não presenciei nada de tããão terrível que os alunos tivessem feito. Como já disse, havia apenas os que diziam bobagens e xingavam os policiais. No máximo, a tal meia dúzia poderia ser, apenas, detida por desacato.
Depois fiquei sabendo sobre o que teria originado toda a bagunça. Os policiais (provavelmente os dois que vi assim que cheguei à faculdade) flagraram alunos fumando maconha nas proximidades da FFLCH e queriam levá-los para que prestassem esclarecimentos. Certamente, seriam liberados. Também soube que estes estudantes não se recusaram a ir. “O bicho teria pegado” quando alguns alunos da FFLCH que presenciaram a abordagem policial não concordaram com o fato de que seus colegas seriam levados até uma delegacia. Afinal, “estavam apenas fumando maconha e isso não configura um crime.”
Vi depois pela televisão o ponto crítico da coisa (momento em que eu estava na aula de Alemão). Prestando atenção nas imagens, dá pra ver que a policia reagiu com bombas de efeito moral a alguns ataques de alunos. Sobre isso nem é preciso falar. Está documentado. Não houve excesso por parte da PM; nas manifestações gerais (e não só de estudandes, “pípol”) em que se dá algum tipo de violência, a polícia faz uso de armas não letais, para que não vire a festa do caqui e ninguém saia prejudicado. Foi realizado o procedimento padrão (estudantes levados à delegacia) e a manifestação foi contida.
Ouvi dizer que alguns estudantes foram abordados e revistados na porta da Florestan Fernandes nesse mesmo dia. Caso seja verdade, também não vejo nenhum tipo de abuso nisso. Quem não deve, não teme, ok?
Depois desse dia a paz da FFLCH foi pro beleléu. E digo isso porque não podíamos assistir a uma aulinha sequer sem que entrasse aquele pessoal “superengajado” e ficasse falando, falando e falando sobre os abusos cometidos pela “infame corporação cruel que servia ao Estado”. Claro, ainda em tempo: detesto generalizações, e até havia pessoas mais conscientes que entravam nas salas para dar recados curtos e coerentes, sobre assembleias e talz.
Aqueles 70 e poucos invadiram e ocuparam a reitoria. Ficaram lá por dias e as discussões na Letras não paravam. Na reintegração de posse, tropa de choque. Acharam absurdo. Mais uma vez, eu digo: reintegrações de posse são assim em todo o lugar de São Paulo. Na USP não seria diferente. Queriam ficar por lá pela eternidade? “Né” assim não, coleguinhas.
Não houve confronto. O número elevado de policiais estava lá para impedir qualquer tipo de revolta. Ninguém queria ver estudante machucado, torturado, ferido, morto. Aí, disseram que a polícia abusou, pegou pesado, reprimiu e etc. Não foi o que pareceu.
Quem simplesmente queria terminar o semestre em paz e não se envolver com as questões políticas era chamado de reacionário, de burguês fedorento, de patricinha e de playboy. Um show de absurdos. Quem trabalha não tem tempo de ocupar reitoria, cabular milhões de aulas e participar assiduamente de assembleias. Tampouco interessa entrar em confronto com a polícia. “Hellooo-oouu”, pessoal. Sempre trabalhei, desde que faço faculdade. As coisas não são fáceis pra mim, e acredito que para ninguém. Todo mundo, inclusive os de uma situação financeira confortável, têm seus problemas. Respeito a opinião de cada um, mas não admito ser xingada, nem desrespeitada.
Moro em um violento bairro da periferia de São Paulo e confio no trabalho que a PM tem realizado por aqui. “No meu pedaço, brow,” quem chega em casa depois da meia noite, de ônibus, sabe muuuito bem como é sentir medo. Ahhh, e como a presença de uma simples viatura traz tranquilidade!
Ficar sozinha num daqueles pontos da USP depois das 23 e pouco é um convite ao colapso mental, especialmente no caso das garotas, e acho que nem preciso explicar mais. E, aproveito pra perguntar, será que SÓ a iluminação adianta? Na minha opinião, até que muda sim. Por quê? Simples. Você será roubado, morto ou estuprado às claras. E nada além disso. Eu disse um não à tal Passeata das Lanternas por causa disso. Iluminação + policiamento sim. Só a iluminação estou dispensando, obrigada.
O motivo inspirador para a criação desse post é justamente o acontecimento da última segunda-feira, que foi simplesmente lamentável. Nada do que o estudante tivesse dito justificaria qualquer tipo de agressão por parte da polícia. NADA. Sabem qual é o lema da instituição? O sargento não devia saber, ou não ligava MESMO pra ele. Mas é o seguinte, vou contar: “Nós, policiais militares, sob a proteção de Deus, estamos compromissados com a defesa da vida, da integridade física e com a dignidade da pessoa humana”. O praça agressor era o descontrole em pessoa, “virado num siri dentro de uma lata”, como diria minha avó. Achei ótimo: ele está sendo punido. Fez, pagou. Vai ser louco bem longe, mas não na Polícia Militar, instituição em que a MAIORIA é de pessoas decentes e trabalhadoras, que estão aí para proteger a sociedade. Já saí de lá. Nunca me esqueci do juramento que fiz nem dos muitos aprendizados – levarei por toda a vida.
Criticar é muito fácil, pípol, difícil é lidar com o mundo do crime, ganhar um salário lixo, trabalhar em escalas injustas e exaustivas sem saber se você estará vivo em casa no outro dia, conviver com um regime que está longe de ser a maior das maravilhas do mundo. E ainda ouvir que policial nenhum presta.
Fico chateada pelo estudante agredido: ninguém merece nem precisa passar por isso. Sim, pessoal, é nessa tecla que bato: Ninguém. Nem os estudantes da USP, nem os da Uninove, Uniban, Mackenzie, PUC e o (coloque aqui seu palavrão predileto) a quatro. Pra quem não sabe nada de direitos humanos, digo: foras da lei também são pessoas, logo também não podem ser agredidos. A verdade é que, além do sargento nervosinho lá da USP, muuuitos outros deveriam ser igualmente afastados e punidos. Vamos lá, minha gente. A CorregPM cumpre muitíssimo bem seu papel, garanto. É só fazer sua denúncia. Faço aqui um apelo: denunciem todos os maus policiais. Não fiquem só de papo. Ainda não vi ninguém da USP levantando essa bandeira. Boa oportunidade.
Bem no início da bagunça, ouvi um dos estudantes engajados lá da FFLCH falar na maior razão: “Somos estudantes da melhor Universidade da América Latina. Lutamos muito para chegar até aqui, e, por isso, não podemos ser tratados como pessoas quaisquer. A PM têm nos tratado como traficantes, bandidos, ladrões. Somos diferenciados. Aqui, o tratamento precisa ser outro, precisa ser melhor.” Hahahaha, graaaandes estudantes, companheiro. Grandes estudantes. Esquerda boa, essa sua. Vá na fé, siga em frente. Mas não conte comigo.
Não abri este post com intenção alguma de debater questões políticas, mas vou encerrá-lo com um pézinho lá. Pergunto-lhes: que (coloque aqui mais um palavrão bacana) de esquerda é essa, companheiro, que exige um tratamento VIP para seus integrantes, e nada fala a respeito dos direitos humanos dos “demais”? Quer dizer que lá no morro o policial pode ser truculento e pode gritar? Façam-me o favor, desajuizados e perdidos na maionese: vão estudar mais um pouquinho de Marx, e, quando precisarem de ajuda (em caso de assalto, estupro e morte) liguem para ele. Esqueçam o 190. Gostaram da grosseria, pessoal da carapuça? Garanto que não.
A Polícia do Brasil tem muito a melhorar? Sem dúvidas. Vamos lutar por isso?


